CRIAR E DISSEMINAR UM MODÊLO REPLICÁVEL DE VIDA SUSTENTÁVEL TENDO COMO
BASE A PERMACULTURA E O BAMBU.
Unidade de referência e capacitação para crianças e adultos.
Desenvolvimento endógeno, processo de auto construção.
Práticas comunitárias.
Aproveitamento de energias e materiais locais.
Custo mínimo.

Vale visto de cima, estamos chegando!
* Toda a comunidade vivenciando os benefícios e múltiplos usos do bambu
e da permacultura, produzindo seu
próprio alimento sem uso de agrotóxicos, melhorando sua qualidade de vida ,
gerando renda e compartilhando os
conhecimentos com os visitantes.
* Bambuteca e Bambuscola em pleno funcionamento divulgando e ensinando
tudo sobre o bambu. A Bambuteca será uma biblioteca de livros, revistas e
artigos sobre bambu para crianças e adultos aprenderem como cultivar, manejar,
tratar e beneficiar o bambu. A Bambuscola será o elemento centralizador do
ensino e capacitação do bambu.
* Viveiro de mudas de vários
tipos de bambu, bambuzal adulto e
produzindo. Construções utilizando o bambu como pontes, casas, viveiros,
galpões e também móveis, utensílios domésticos e artesanato em geral.
Degustação de iguarias tendo como base o broto do bambu.
* Produção no próprio sítio ou em vizinhos de insumos necessários ao
processamento e beneficiamento do bambu, como árvores que possuam grande quantidade de tanino para o seu
tratamento e imunização sem uso de
substâncias químicas e plantas úteis a
construções e artesanato com bambu,
como sisal, imbé e vime.
* Produção de alimento orgânico e pequenos animais segundo os
princípios da permacultura, implantados através de cursos e práticas
comunitárias, garantindo o suprimento de
qualidade aos residentes,
visitantes e vizinhos e também desenvolvendo continuamente a fertilidade
do solo.
* Utilização de energias renováveis como sol, água e vento, sempre de
maneira replicável, permitindo a todos o acesso a esses benefícios.
* Viver de maneira harmônica e produtiva com a natureza e com os vizinhos, que estarão participando
ativamente do processo, pois além de alojar em suas casas os visitantes e
alunos dos cursos ministrados no sítio,
terão os benefícios de executar em suas propriedades as atividades práticas dos
cursos, seja de permacultura, eco construção ou bambu.
* Proporcionar aos residentes e estagiários do sítio uma vida saudável, de cooperação, desenvolvimento pessoal e confiança mútua.
* Proporcionar a todos, sejam residentes, estagiários,
vizinhos, visitantes e alunos o conhecimento completo, isto é, informação,
contexto e experiência prática.
* Disseminar a idéia da replicabilidade, isto é, a prioridade por
adotar sempre práticas e soluções de mínimo custo e baixa tecnologia, de acesso
fácil por qualquer pessoa, sem
necessidade de grandes conhecimentos técnicos e científicos ou de grandes
investimentos. Assim poderemos de fato auxiliar na melhoria das condições de
vida das populações locais de baixa renda e pouca instrução. Esse
encaminhamento possibilita que a informação e a prática comunitária sejam as
maiores ferramentas da transformação.
* Servir de campo de estudos e testes para aplicação das mesmas
soluções em maior escala.

Vista parcial do sítio

Vista do alto poente
FUNDAÇÃO BAMBU BRASIL –
BAMBOO BRAZIL FOUNDATION -
Organização não governamental americana, sem fins lucrativos, cujo
objetivo é disseminar e difundir o conhecimento do bambu no Brasil.
JOÃO PAULO FREIRE PAGLIONE. Formando em informática e alemão na Florida
Atlantic University, USA. Ganhou a bolsa “International Rotary Ambassadorial
Scholarship” para Alemanha. Lá visitou as primeiras fazendas orgânicas e
biodinâmicas. Fez o curso "Civilização do Bambu" em Belo Horizonte
com a BAMCRUS, abriu a oficina
BambuBrasil em 2000, curso "The Bamboo Smiths" em Sacramento/USA com
Darrel Deboer, arquiteto natural autor do
livro "Bamboo Building and Culture" em 2001.Em 2001 esteve no
China National Bamboo Research Center – participando do curso Technical
Cooperation Amongst Developing Countries. Foi representante do Brasil no
Congresso Internacional de Bambu em Miami realizado pela Sociedade Americana de
Bambu. Fundador da BAMBOO BRAZIL FOUNDATION.
MARCO ANTONIO DOS REIS
PEREIRA.
Engenheiro
Agrícola..Mestrado em Agronômia pela Faculdade de Ciências Agronômicas - FCA
-UNESP/Botucatu: Utilização do bambu para fins de irrigação. Doutorado em
Agronomia pela Faculdade de Ciências Agronômicas - FCA -UNESP/Botucatu:
Características hidráulicas de tubos de bambu gigante.Em 2001 participou
do International Trainning Course on
Bamboo Technology na China National Bamboo Research Center .
Responsável pelo viveiro experimental da UNESP em Bauru/SP.
IPAB. Instituto de
Permacultura Áustro Brasileiro, com sede em Florianópolis, Santa Catarina.
AMBIENTAL RATONES. Organização Não
Governamental (ONG) sediada em
Florianópolis com sólida presença e atuação
na área de proteção ambiental.
ROMEU MUNSFELS, VALDIR
SOARES E ORLANDO DE MELO. Agricultores da localidade de Mato Francês,
vizinhos do Sítio Vagalume, que
participam de parcerias com o projeto, como implantação de produção de mel,
compra compartilhada de micro trator , plantação de mudas de bambu em suas
propriedades,cooperação para
recuperação de solos através fornecimento de sementes para adubação verde, etc.

Vista do platô superior

Vista da área onde foi plantado
o bambu.
PERMACULTURA
Permacultura é um sistema de
´design´ para a criação de
ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza.
Foi desenvolvida no início dos anos 70 na Austrália por Bill Mollison e
David Holmgren, unindo culturas ancestrais com os conhecimentos da ciência
moderna.
A palavra originou-se da expressão permanent
agriculture, porém hoje, devido a
sua maior abrangência foi substituída por
´cultura permanente´.
A permacultura não se enquadra em nenhuma disciplina específica, sendo
na prática um arcabouço de conhecimentos transdiciplinares abrangendo desde agricultura,
arquitetura, agronomia, engenharia, ciências
naturais, economia solidária, etc.
O objetivo é a criação de sistemas que sejam ecologicamente corretos e
economicamente viáveis; que supram suas próprias necessidades, não explorem ou
poluam e que sejam sustentáveis a longo
prazo.
A ÉTICA DA PERMACULTURA
1.
Cuidar da Terra. Fala do
respeito a todas as coisas do planeta, sejam elas vivas ou não.
2.
Cuidar das pessoas. O impacto
do ser humano no planeta é muito marcante. Se pudermos garantir a todos o acesso aos recursos básicos
necessários a existência, reduziremos a necessidade de consumir recursos não
renováveis.
3.
Partilhar excedentes e limitar
o consumo. São decorrentes dos dois primeiros princípios. Partilhar excedentes
significa redistribuir os recursos que temos além de nossas necessidades. Limitar
consumo nos faz repensar nossos hábitos e conceitos de qualidade de vida.
Sempre priorizar o fluxo em vez do acúmulo.
ESTRATÉGIAS
1.
Observar atentamente a natureza.
2.
Trabalhar com a natureza e não contra ela.
3.
Cooperação em vez de competição, integração em vez de fragmentação.
4.
Pensar sobre as conseqüências das nossas ações a longo prazo.
5.
Onde possível utilizar espécies
nativas da área ou aquelas adaptadas sabidamente benéficas.
6.
Cultivar a menor área possível, em sistemas intensivos e eficientes.
7.
Praticar a diversidade policultural, que garante a estabilidade, e não
a monocultura.
8.
Sistematizar a água e alimentar o solo.
9.
Ver soluções e não problemas.
10.
Usar e valorizar recursos e energias renováveis.
11.
Trabalhar onde conta, plantar uma árvore onde irá sobreviver, ajudar
pessoas que querem aprender.
DESIGN
O design permacultural envolve
o planejamento, a implantação e a manutenção conscientes de ecossistemas
produtivos que tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos
ecossistemas naturais. Ele resulta da integração harmoniosa entre as pessoas e
a paisagem, provendo alimentação, energia e habitação de forma sustentável.
Trata de elementos como plantas, animais, edificações e infra estruturas e das conexões que podemos criar
entre eles.
CONTEXTO REGIONAL.
O município de Rancho Queimado está situado no estado de Santa
Catarina, no sul do Brasil, sendo sua sede localizada a 75 quilometros da
capital do estado, Florianópolis.
Possue área territorial de 287,4 km2 e está ligado a capital e ao
planalto serrano através das rodovias BR 282 e SC407.
Localiza-se junto as encostas e escarpas da Serra Geral, entre o
litoral e o planalto, com a altitude média de 820 metros acima do nível do mar,
chegando a 1200 nos Campos do Alto da Boa Vista. Apresenta relevo acidentado
composto por vales, morros, montanhas, escarpas e altiplanos, regatos, rios e
cachoeiras.

Casa em Rancho Queimado Roda d água na região.
É divisor geográfico de águas entre os rios
Itajaí-Açu, Tubarão e Cubatão, fazendo parte da bacia do rio Tijucas.
O clima é mesotérmico úmido, com temperaturas médias anuais entre 14 e
18 graus Celcius. A precipitação média é de 2116mm, distribuídas mais no verão.
No inverno podem ocorrer fortes geadas
em todo o município e ocasionalmente neve nos pontos mais altos.
Média anual de umidade relativa do ar
é de 80 a 85% e a insolação total anual
de 2.000 a 2.200 horas.
São encontrados três tipos de solos: Cambissolos, com bases de
depósitos sedimentares do quarternário; Cambissolos e Podzólico
vermelho-amarelo com base sedimentar e Cambissolo e Podzólico vermelho-amarelo
com base granito-gnaissica.
A vegetação apresenta grande diversidade em razão das variações de
altitude. Pode-se encontrar a Mata Atlântica
ou Floresta Ombrófila Densa nas áreas entre 600 e 700 m de altitude;
Floresta de Araucárias ou Floresta Ombrófila Mista nas altitudes de 800 a 1000m de altitude e finalmente campos de
altitude de vegetação rasteira com fragmentos de Mata Nebular nas maiores
altitudes.
A cobertura vegetal, arbórea e
arbustiva ocupa uma área de 63,4% da área do município, basicamente devido a
topografia acidentada. Observa-se áreas desmatadas e erodidas sendo usadas para pecuária e agricultura.
Vale ressaltar que o município encontra-se situado em privilegiada
situação geográfica entre o Parque
Estadual da Serra do Tabuleiro e o Parque Nacional de São Joaquim.
A região foi originalmente habitada por grupos indígenas expulsos e
exterminados durante o processo de colonização iniciado no século XIX com a
chegada de imigrantes alemães. Nessa época
o comércio entre o litoral e o planalto apresentava razoável movimento
com diversos serviços de apoio aos viajantes como hospedarias e pequenos
comércios localizados nas margens dos caminhos. Assim originou-se a freguesia
de Santa Isabel, que a partir de 1869 passa a condição de distrito municipal.
Em 1962 já com o nome de Rancho Queimado, torna-se município, emancipando-se de
São José.
A agropecuária corresponde a 80% de sua economia, onde em pequenas
propriedades criam-se eqüinos, bovinos e muares, além das culturas de cebola,
morango, tomate, alho, batata inglesa e mel de abelhas.
Sua população está abaixo de 3.000 habitantes, sendo sua grande maioria
na zona rural.
CONTEXTO LOCAL.
O Sítio Vagalume
Está localizado no Distrito de
Taquaras, localidade de Mato Francês.
Latitude 27 40´S
Longitude 49 10´W
Altitude 830 – 900m
Área 12,3 hectares, sendo 2,5 hectares, aproximadamente 20%, desmatados e/ou planos e o restante floresta (Floresta Ombrófila
Mista ou Floresta de Araucárias) ou áreas em recuperação, capoeiras e
capoeirões.
Distancia de Florianópolis 90
km, sendo os 3.8 km finais em estrada de terra. A viagem desde Florianópolis
leva 90 minutos.
Encontra-se em um final de vale
íngreme, ladeado por escarpas e cortado por regatos. Possui uma
orientação solar privilegiada pois tem a
concavidade do vale voltada para
o quadrante norte, com abertura maior a nordeste e um pouco menor a noroeste.Os
ventos são canalizados pelo vale no sentido norte sul , sendo que os mais
desfavoráveis e frios vindos do sul são abrandados pela conformação das
escarpas.

Círculo do fogo. Xaxim nativo.
O vale do Mato Francês é habitado por pequenos agricultores
descendentes dos pioneiros imigrantes
alemães que cultivam principalmente cebola, morango, milho e tomate, todos
com uso de agrotóxicos , além de
criação de gado para leite e corte. Em razão da topografia acidentada, tanto a
agricultura mas principalmente a
pecuária tem sérios e danosos impactos ao meio ambiente, além de não
proporcionarem condições adequadas para
o sustento e melhoria de vida das famílias locais.
ANTECEDENTES
O sítio foi comprado em 1996 por Marcos Marques em sociedade com dois amigos como refúgio de final de semana,
sendo perfeito para esse fim, pois apresenta quase 80% de sua área total
preservada de floresta, riachos e pequenas quedas d´água. Localizado num
fundo de vale é a última propriedade da
estrada.
A área desmatada e/ou plana era
anteriormente utilizada como pasto e há 30 anos era usada para cultivo
de cebola e milho.
O sítio pertencia a família de Romeu Munsfels, descendente de alemães
que alí se estabeleceu ali em 1995 e que se viu obrigado a vender os fundos de
sua propriedade, originariamente de 26
hectares, para saldar suas dívidas.

Silvana com a família de Romeu Munsfels.
Foi então construída uma pequena casa de madeira reflorestada com
aberturas de demolição e materiais reaproveitados de outras construções. O
sanitário foi construído com fossa séptica, filtro anaeróbio e valas de
infiltração, feita a captação de água potável de mina localizada dentro da propriedade, instalado aquecimento de água a gás GLP
e cercada a área desmatada próxima a
entrada.
Em 2000 a situação se modificou, pois seus sócios não mais se interessavam
pela propriedade e Marcos Marques, após seu curso e vivências de permacultura e
bambu na Austrália, sonhava em implantar ali um projeto semelhante aos que lá
visitou.
Finalmente em 2002 Marcos Marques conseguiu os fundos suficientes para
comprar a parte de seus sócios e então
iniciar a implantação do Projeto Sítio
Vagalume.

Casa e forno de pão.
CONDICIONANTES LOCAIS
As áreas planas ou desmatadas que permitem implantar novas culturas ou construções é muito restrita, sendo
que as áreas planas ficam localizadas nas margens de córrego e
regatos e as áreas restantes são bastante íngremes. . Porisso seu uso deve
ser extremamente criterioso.
Como condicionante de projeto não será edificada nenhuma construção
permanente a menos de 30 metros de cursos de água.
Assim chega-se a uma das características principais do Projeto Sítio
Vagalume, que é sua pequena escala.
Isso vem de encontro aos ideais de replicabilidade, pois as soluções,
cultivos e processos aqui apresentados com certeza poderão ser aproveitados em
pequenas propriedades, ou até no meio sub urbano, mas obviamente servirão de
campo de testes para aplicação posterior
também em maior escala, em grandes áreas.
Outra característica decorrente da pequena escala do Sítio Vagalume é a inclusão social das populações vizinhas. Nos últimos anos foram criados laços de amizade e confiança com os vizinhos e seus familiares. Durante um almoço de confraternização foi lançada a idéia de as famílias locais hospedarem os alunos dos cursos a serem ministrados no sítio, oferecendo acomodação, café da manhã e jantar. Isso proporcionaria uma renda extra para as famílias, o contato com pessoas de outras localidades e culturas, além de contaminar indiretamente essas famílias com os ideais da permacultura e do uso e vantagens do bambu. A proposta teve uma acolhida surpreendente, todos adoraram a idéia e imediatamente começaram a fazer planos e sugestões.
O
DESIGN PERMACULTURAL
Iniciou-se o projeto global do sítio, chamado na permacultura de
design, na verdade um processo contínuo
que reúne todas as observações do local e região,
as propostas de ações no tempo, os
elementos a serem implantados, plantas, animais e suas conexões.
Veja em anexo:
* Planta do Município de Rancho Queimado
mostrando a localização do Sítio Vagalume.
* Planta do Sítio Vagalume mostrando a área destinada a ser Reserva
Particular do Patrimônio Natural
(RPPN)..
*
Levantamento plani-altimétrico das áreas desmatadas e/ou planas.
*
Planta com as condições locais, as áreas a serem utilizadas e seu zoneamento.
*
Relação de ocorrências naturais observadas no local.
*
Relação das árvores nativas da região.
*
Relação dos elementos e estruturas possíveis de serem integrados ao design.
*
Relação das plantas de interesse a serem introduzidas na área.
*
Relação de possíveis vivências e testes iniciais na área de eco construção e energias renováveis.
As três principais linhas de ação são: Escola, Bambu e Nova Floresta.
ESCOLA
A chave do processo endógeno, o
processo de auto construção, onde o aprendizado leva ao projeto e também
`a implantação do que foi projetado.
Serão ministrados, dentro do projeto Bambuscola, cursos relacionados ao
cultivo, manejo, tratamento e diversas
formas de utilização do bambu, conscientizando os alunos e vizinhos da sua importância e múltiplos usos. Durante os cursos será feito o manejo das
moitas, produção de mudas, tratamento
dos colmos e beneficiamento do bambu nas inúmeras formas possíveis. Serão
também projetados e construídos os viveiros, galpões e demais estruturas
necessárias. Tais cursos terão apoio dos parceiros do projeto (veja na seção PARCEIROS).Dentro da Bambuscola será formado o grupo Bambu Vagalume com os participantes dos cursos que
queiram ter uma educação continuada
e participar das atividades
relacionadas ao tema.
Serão ministrados cursos de permacultura onde a parte prática será o projeto e posterior implantação das
estruturas, cultivos intensivos e extensivos e criação de pequenos animais.
Tais cursos terão apoio dos parceiros do projeto (veja na seção PARCEIROS).
Serão ministrados cursos de eco construção onde serão projetadas e
posteriormente construídas todas as estruturas necessárias para a implantação
do design. Tais cursos também terão apoio dos parceiros do projeto(veja na seção PARCEIROS).
Prática no curso de permacultura. Horta
instantânea.
Aqui existe a possibilidade de
se trabalhar com crianças de escolas locais ou de cidades próximas,
apresentando na prática os fundamentos da vida saudável.
Durante os primeiros anos a ênfase do processo serão os cursos de
permacultura , eco construção e cultivo do bambu. Com o passar dos anos a
estrutura do sítio estará implantada e os bambus estarão na etapa de manejo e
utilização.O foco então será o estudo, tratamento e uso do bambu com suas
inúmeras possibilidades, inclusive o treinamento de mão de obra para
beneficiamento da produção.
Nessa etapa os cursos de permacultura,
eco construção e bambu terão ainda maior função social pois a população local já estará contaminada
pela filosofia e resultados práticos apresentados no sítio durante seus
primeiros anos e assim as práticas dos
cursos poderão ser nas propriedades vizinhas,
implantando em cada uma delas estruturas e culturas de interesse do
morador, como sistemas de irrigação natural, recuperação de mata ciliar,
cultivos orgânicos, esgotos ecológicos, coleta de água de chuva, composteiras,
minhocários , construções com bambu, terra, parcerias para beneficiamento do
bambu, etc.

Práticas no curso permacultura. Terminando a
espiral de ervas.
Os cursos terão sempre bolsistas moradores da região, responsáveis por
divulgar o que aprenderam para suas famílias e vizinhos.
O sítio receberá também estagiários voluntários, do Brasil e exterior,
interessados na experiência de planejar e implantar o projeto, vivenciar na prática a permacultura, a eco construção,
a produção de alimentos orgânicos e o estudo, cultivo, manejo e uso do bambu.
Essa prática é comum em países como Austrália e Nova Zelândia (onde é chamada
de WWOOFING - WILLING WORKERS OF
ORGANIC FARMS).
Chamada de estadia cooperativa,
o estagiário permanecerá no sítio por
um determinado período trabalhando por 4 ou 5 horas diárias e receberá alojamento e refeições, não havendo nenhum
tipo de remuneração financeira ou vínculo empregatício.
Esse tipo de procedimento traz vantagens para o sítio que obtém mão de
obra e para o voluntário que aprende na prática, além de permitir a todos a troca de informações e vivências.
As construções a serem edificadas no sítio serão preferencialmente
ecológicas, usando materiais locais, materiais reciclados ou de baixo impacto
ambiental. Ênfase ao estudo e
aplicação dos conceitos de bio arquitetura, arquitetura solar e geobiologia.
Além de oferecer acomodação nas
casas dos moradores vizinhos como citado acima, o sítio deve oferecer opção de
acomodação em dormitório coletivo, em camping ou em tipis, tendas típicas dos
índios norte americanos, que serão
construídas durante os primeiros cursos de eco construção a serem ministrados
no sítio.
Está em implantação a ligação a
rede pública de energia elétrica, trifásica, e no decorrer do tempo serão
implantados sistemas de energia alternativos, diminuindo substancialmente a
dependência da energia da rede. Sistemas de aquecimento solar e biomassa serão
os primeiros a serem construídos, logo
nos primeiros cursos de eco construção.

Curso Construção Zona 1. Prática de
Taipas.
BAMBU
A estratégia utilizada no processo de design tem como objetivo atingir um grau crescente de sustentabilidade
com o passar dos anos, respeitando a
natureza e gerando renda.

Ponte de bambu. Casa de bambu
projetada por Antonio.
Daí veio a decisão de implantar na área íngreme e degradada de
aproximadamente 5.000m2 (meio
hectare) um cultivo de bambus
entouceirantes, recurso renovável de
grande utilidade, pois além de proteger o solo de erosões o bambu tem rápido crescimento, crescente produção se bem manejado, seus
brotos são comestíveis e suas varas podem ser usadas para inúmeros usos, desde
utensílios domésticos, ferramentas e
artesanato até para construções, sendo porisso chamado de madeira do século 21.
Optou-se por diferentes espécies de bambu entouceirante , que garantem
a preservação da mata que circunda a área e permitem aproveitar todas as
possibilidades de uso do bambu.
Será feito um acompanhamento
cuidadoso da adaptação e crescimento de cada espécie na área, permitindo que
esse conhecimento acumulado seja
publicado ( veja em PARCEIROS a
Fundação BambuBrasil) e utilizado em novas plantações na região ou em
áreas de clima semelhante.
Com a consultoria e ajuda de João Paglione, especialista e
entusiasta em bambu e do professor
Marco Antonio dos Reis Pereira da UNESP (veja em PARCEIROS) , foi possível
conseguir mudas de excelente
qualidade de espécies que provavelmente
se adaptem melhor as condições
climáticas locais, além de proporcionarem os usos variados desejados para a
sustentabilidade crescente do projeto.
As mudas foram plantadas em fevereiro de 2003 em curvas de nível pois posteriormente será implantado sistema
de irrigação natural chamado na permacultura de swales (valas de infiltração) e
plantação de consórcios para melhoria do solo e produção de biomassa. Logo nos
primeiros meses as mudas plantadas
passaram por grande teste pois foram atacadas por animais dos vizinhos
que invadiram a área, sofreram longo
período de seca e um longo inverno com fortes geadas. Chegou-se a temer pelo
sucesso do projeto mas assim que as chuvas
começaram em finais de setembro observou-se uma incrível recuperação, sendo que
mais de 90% das mudas apresentam
brotação.
Isso confirma a grande
capacidade de adaptação do bambu a condições adversas e só aumenta a certeza do
seu grande valor sócio ambiental e econômico.

Marcos e dendrocalamus giganteus. João e Pereira na
UNESP.
Foram também distribuídas gratuitamente mudas para os vizinhos
parceiros a fim de disseminar a idéia de plantar bambu e democratizar seu uso no futuro próximo.
Relação de mudas plantadas
em fevereiro 2003:
Bambusa Vulgaris.... 5 mudas ( plantadas nov 2002 e set 2003)
Bambusa Oldhami......9 mudas
Bambusa Tudoidis......2 mudas ( plantadas agosto 2003)
Dendrocalamus Latiflorus ....2 mudas
Dendrocalamus Giganteus.....40 mudas
Guadua Angustifólia......32 mudas
Total de mudas plantadas até o momento....90 ( noventa)

Pereira no viveiro da
UNESP.
Atualmente são usados vários métodos para o tratamento do bambu, como
defumação, substituição de seiva e submersão
entre outros (veja anexo), a maioria deles utilizando produtos químicos
ou de alguma maneira causando danos ao meio ambiente. Optamos por um tipo de
tratamento natural de substituição da
seiva por uma diluição de tanino, que será obtido de cascas árvores específicas
a serem plantadas no próprio sítio e nos
vizinhos, da família das acácias, como
acácia mimosa e acácia negra.
Espécies de plantas que serão
usadas no beneficiamento do bambu também estão sendo implantadas no sítio, como
sisal, vime e imbé.
Todos esses fatores vão fechar
os ciclos e contribuir para a real e crescente
sustentabilidade do processo
de utilização do bambu.

João e dendrocalamus giganteus. Área do
bambuzal recém plantada.
Veja em anexo farto material a respeito do bambu, entre eles artigos do
jornalista Olimpio Araújo Júnior sobre diversos aspectos do bambu e o projeto
da Bambuseria Bancruz de Belo Horizonte para desenvolvimento do ciclo do bambu
no Brasil.
NOVA
FLORESTA
Nome genérico para designar a
ação contínua de recuperar as áreas degradadas, áreas de mata ciliar as margens
de riachos e regatos, áreas de grande declividade, áreas de divisas
problemáticas circundadas por
pastagens ou reflorestamento de
pinus eliotis, áreas em recuperação natural sejam capoeiras ou capoeirões,
bordas de florestas etc. A área total
dessas áreas é de aproximadamente 1,5 hectares.
Serão adotadas várias estratégias para essa recuperação, dependendo das
características específicas de cada área em questão.
Como citado anteriormente a região apresenta remanescentes de Floresta
de Araucárias ou Floresta Ombrófila Mista. Portanto a ênfase de trabalho nessas
áreas será devolvê-las a sua condição original.
Vale ressaltar o pouco espaço disponível e o objetivo de se atingir
graus crescentes de sustentabilidade, sendo portanto importante a produção de
alimentos. Portanto serão introduzidas
em algumas áreas sistemas agro florestais(SAF), ou florestas de alimentos.
Serão implantados pequenos açudes em pontos estratégicos, nas maiores cotas possíveis, para permitir a
criação de micro climas favoráveis, diminuir a incidência de geadas,
possibilitar a criação de biomassa para compostagem através de plantas
aquáticas, além de propiciar a irrigação das culturas por gravidade e a criação
de peixes.
Outro elemento importante será o banco de sementes, onde serão guardadas,
testadas e catalogadas. Durante os cursos as sementes serão coletadas na
floresta ou arredores e pretende-se criar uma `feira de troca de sementres´
inicialmente entre vizinhos, alunos e amigos,
podendo desenvolver maior abrangência via internet.
A permacultura ensina ser
possível acelerar a sucessão natural, utilizando técnicas como
compostagem, adubação e cobertura
verde, culturas consorciadas em diversos estratos, adensamento e introdução de mudas nativas e frutíferas.
Veja em anexo material a
respeito de sistemas agro florestais(SAF) e da luta para recuperar as Florestas
de Araucária.
ATIVIDADES
DESENVOLVIDAS NO ANO 2003
Após a compra da totalidade do sítio no final de 2002, o ano de 2003
foi de muito trabalho, contatos, levantamento de dados e estudos para elaborar o presente projeto e o design
permacultural, estreitar as parcerias fundamentais para a divulgação e
viabilização do projeto e implantar as ações básicas que permitam dar seqüência
aos planos aqui apresentados. Todas as ações realizadas até aqui foram com
recursos próprios.
Para fácil entendimento e acompanhamento através do tempo, as ações
foram divididas em: PROJETO / INFRA ESTRUTURA / REFLORESTAMENTO, CULTURAS E ALIMENTO.

Antes da adubação de inverno. Detalhe adubação meses depois.
PROJETO
* Levantamento plani-altimétrico das áreas desmatadas e planas
utilizáveis. Produção de plantas cartográficas da região e do sítio.
* Desenvolvimento do design permacultural do sítio, atividade
contínua, simultânea e complementar ao
presente projeto.
* Desenvolvido pelo arquiteto Antonio Reyes Melognio (veja em
PARCEIROS), seu trabalho de graduação na Universidade federal de Santa
Catarina. O trabalho completo está a disposição para consulta e deve servir de
inspiração para as futuras construções no sítio.
* Início do processo de transformação da parte dos fundos do sítio em
RPPN, Reserva Particular do Patrimônio
Natural, junto ao IBAMA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos
Renováveis, órgão do governo federal.
* Registro fotográfico das diferentes áreas do sítio, com a definição
de ´photo spots ´, isto é,
locais onde serão observadas as mudanças ocorridas através do tempo para
fins de estudo.
* Criação de web site/ home page para divulgar o projeto.
* Apresentação do projeto ao grupo do Programa Municipal de
Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura Municipal de Rancho Queimado (veja em
PARCEIROS).
* Participação no Programa de Formação de Professores de Permacultura
do IPAB - Instituto de Permacultura Austro Brasileiro, na forma de curso de
capacitação de professores,
monitoria e aulas em cursos de Permacultura Design e Consultoria em
Criciúma e Florianópolis.

Formação de professores de permacultura. Cachoeira.
* Participação como professor de eco construção e co autor da
apostila, no Curso de Construção de
Zona 1 – Qualidade de Vida Começa com Casa e Comida – realizado pelo IPAB –
Instituto de Permacultura Austro Brasileiro
em setembro de 2003 na área rural de São José do Cerrito, com apoio da
Prefeitura , Sindicatos de Trabalhadores Rurais e Cooperativas de Crédito
locais.
* Visita a propriedades
permaculturais em São Jose do Cerrito, Criciúma e Paulo Lopes, todas em Santa
Catarina.
INFRA ESTRUTURA

Micro trator com Romeu. Levantamento
topográfico.
* Execução de cercas nas áreas onde havia risco de invasão de animais
dos vizinhos.
* Construção de galpão de aproximadamente 40 m2.
* Construção de viveiro de mudas com aproximadamente 20m2.
* Construção de abrigo para materiais e ferramentas com aproximadamente
20m2.
* Construção de pequeno galpão com forno a lenha e lavatório.
* Compra compartilhada de micro trator com vizinho Romeu Munsfels.
* Manutenção da casa e do
sanitário construídos em 1996/97.
* Ligação de energia trifásica
da rede pública local.
* Aquisição de serra de bancada e betoneira.
REFLORESTAMENTO, CULTURAS E
ALIMENTO

Viveiro de mudas. Retirada de
mel.
* Demarcação das áreas a serem reflorestadas e protegidas e das áre