MISSÃO

 

 

CRIAR E DISSEMINAR UM MODÊLO REPLICÁVEL DE VIDA SUSTENTÁVEL TENDO COMO BASE A PERMACULTURA E O BAMBU.

 

 

OBJETIVOS

 

 

Unidade de referência e capacitação para crianças e adultos.

 

Desenvolvimento endógeno, processo de auto construção.

 

Práticas comunitárias.

 

Aproveitamento de energias e materiais locais.

 

Custo mínimo.

 

                             Vale visto de cima, estamos chegando!

VISÃO DE FUTURO

 

 

* Toda a comunidade vivenciando os benefícios e múltiplos usos do bambu e da permacultura,  produzindo seu próprio alimento sem uso de agrotóxicos, melhorando sua qualidade de vida , gerando renda  e compartilhando os conhecimentos com os visitantes.

 

* Bambuteca e Bambuscola em pleno funcionamento divulgando e ensinando tudo sobre o bambu. A Bambuteca será uma biblioteca de livros, revistas e artigos sobre bambu para crianças e adultos aprenderem como cultivar, manejar, tratar e beneficiar o bambu. A Bambuscola será o elemento centralizador do ensino e capacitação do bambu.

 

 * Viveiro de mudas de vários tipos de bambu,  bambuzal adulto e produzindo. Construções utilizando o bambu como pontes, casas, viveiros, galpões e também  móveis,  utensílios domésticos e artesanato em geral. Degustação de iguarias tendo como base o broto do bambu.

 

* Produção no próprio sítio ou em vizinhos de insumos necessários ao processamento e beneficiamento do bambu, como árvores que possuam  grande quantidade de tanino para o seu tratamento e  imunização sem uso de substâncias químicas  e plantas úteis a construções e artesanato  com bambu, como sisal, imbé e vime.

 

* Produção de alimento orgânico e pequenos animais segundo os princípios da permacultura, implantados através de cursos e práticas comunitárias, garantindo o suprimento de  qualidade aos residentes,  visitantes e vizinhos e também desenvolvendo continuamente a fertilidade do solo.

 

* Utilização de energias renováveis como sol, água e vento, sempre de maneira replicável, permitindo a todos o acesso a  esses benefícios.

 

* Viver de maneira harmônica e produtiva com a natureza  e com os vizinhos, que estarão participando ativamente do processo, pois além de alojar em suas casas os visitantes e alunos dos cursos ministrados  no sítio, terão os benefícios de executar em suas propriedades as atividades práticas dos cursos, seja de permacultura, eco construção ou bambu.

 

* Proporcionar aos residentes e estagiários do sítio uma  vida saudável, de cooperação,  desenvolvimento pessoal  e confiança mútua.

 * Proporcionar  a todos, sejam residentes, estagiários, vizinhos, visitantes e alunos o conhecimento completo, isto é, informação, contexto e experiência prática.

 

* Disseminar a idéia da replicabilidade, isto é, a prioridade por adotar sempre práticas e soluções de mínimo custo e baixa tecnologia, de acesso fácil por qualquer pessoa,  sem necessidade de grandes conhecimentos técnicos e científicos ou de grandes investimentos. Assim poderemos de fato auxiliar na melhoria das condições de vida das populações locais de baixa renda e pouca instrução. Esse encaminhamento possibilita que a informação e a prática comunitária sejam as maiores ferramentas da transformação.

 

* Servir de campo de estudos e testes para aplicação das mesmas soluções em maior escala.

 

                                                     Vista parcial do sítio

 

                                   

QUEM  SOMOS

 

 

Marcos da Silva Marques. Proprietário do Sítio Vagalume, engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Universidade  de São Paulo, trabalhando há 20 anos com construção de edifícios, casas e lojas; no período 1996/1998 participou do Núcleo de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura de Rancho Queimado/ SC atuando junto a Universidade Federal de Santa Catarina no levantamento das condições do município e proposta de plano de desenvolvimento sustentável; em 2000 esteve na Austrália onde fez o curso de  Permacultura no Permaculture Research Institute, fundado por Bill Mollison. Voltando ao Brasil passou a  atuar na área de eco construções, econômia solidária, agricultura orgânica e permacultura. Em 2003  iniciou sua formação de professor de permacultura junto ao IPAB, Instituto de Permacultura  Áustro Brasileiro  e passou a ministrar cursos de eco construção, além de  dedicar-se ao estudo do bambu e a  implantação do Projeto Sítio Vagalume.

 

Silvana Tonolli. Parceira de vida do Marcos Marques, estudou  administração de empresas na Universidade do Rio dos Sinos no Rio Grande do Sul e trabalha na área de turismo internacional em Florianópolis. Também entusiasta do bambu.

 

 

                                                 Vista do alto poente

 

 

PARCEIROS

 

 

FUNDAÇÃO BAMBU BRASIL – BAMBOO BRAZIL FOUNDATION -

Organização não governamental americana, sem fins lucrativos, cujo objetivo é disseminar e difundir o conhecimento do bambu no Brasil.

 

JOÃO PAULO FREIRE PAGLIONE. Formando em informática e alemão na Florida Atlantic University, USA. Ganhou a bolsa “International Rotary Ambassadorial Scholarship” para Alemanha. Lá visitou as primeiras fazendas orgânicas e biodinâmicas. Fez o curso "Civilização do Bambu" em Belo Horizonte com  a BAMCRUS, abriu a oficina BambuBrasil em 2000, curso "The Bamboo Smiths" em Sacramento/USA com Darrel Deboer, arquiteto natural autor do  livro "Bamboo Building and Culture" em 2001.Em 2001 esteve no China National Bamboo Research Center – participando do curso Technical Cooperation Amongst Developing Countries. Foi representante do Brasil no Congresso Internacional de Bambu em Miami realizado pela Sociedade Americana de Bambu. Fundador da BAMBOO BRAZIL FOUNDATION.

 

MARCO ANTONIO DOS REIS PEREIRA.
Engenheiro Agrícola..Mestrado em Agronômia pela Faculdade de Ciências Agronômicas - FCA -UNESP/Botucatu: Utilização do bambu para fins de irrigação. Doutorado em Agronomia pela Faculdade de Ciências Agronômicas - FCA -UNESP/Botucatu: Características hidráulicas de tubos de bambu gigante.Em 2001 participou do  International Trainning Course on Bamboo Technology   na  China National Bamboo Research Center .

Responsável pelo viveiro experimental da UNESP em Bauru/SP.

 

IPAB. Instituto  de Permacultura Áustro Brasileiro, com sede em Florianópolis, Santa Catarina.

 

PREFEITURA MUNICIPAL DE RANCHO QUEIMADO. Município onde se encontra o Sítio Vagalume, A Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), localizada em Florianópolis realizou estudos para avaliar as  condições do município e propor um plano de desenvolvimento sustentável. Marcos Marques participou da coordenação desse trabalho. Os dois relatórios produzidos pela UFSC encontram-se disponíveis para consulta.Atualmente o Plano Municipal de Desenvolvimento Sustentável tem influência importante na vida do município.

 

AMBIENTAL RATONES. Organização Não Governamental (ONG)  sediada em Florianópolis com sólida presença e atuação  na área de proteção ambiental.

 

ANTONIO REYES MELOGNIO. Arquiteto formado pela Universidade Federal de Santa Catarina e permacultor formado pelo IPAB em 2003,  é responsável pela proposta arquitetônica de implantação do no sítio de escola e outras construções ecológicas dentro dos ideais das ecovilas.

 

ROMEU MUNSFELS, VALDIR SOARES E  ORLANDO DE MELO.  Agricultores da localidade de Mato Francês, vizinhos do  Sítio Vagalume, que participam de parcerias com o projeto, como implantação de produção de mel, compra compartilhada de micro trator , plantação de mudas de bambu em suas propriedades,cooperação para  recuperação de solos através fornecimento de sementes para  adubação verde, etc.

 

 

 

 

                                                Vista do platô superior

 

 

 

 

 

 

                          Vista da  área onde foi plantado o bambu.

                          PERMACULTURA

                                                                                                                                                        Símbolo da Permacultura

 

Permacultura é um sistema de  ´design´  para a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza.

 

Foi desenvolvida no início dos anos 70 na Austrália por Bill Mollison e David Holmgren, unindo culturas ancestrais com os conhecimentos da ciência moderna.

 

A palavra originou-se da expressão permanent agriculture, porém hoje, devido a sua maior abrangência foi substituída por   ´cultura permanente´.

 

A permacultura não se enquadra em nenhuma disciplina específica, sendo na prática um arcabouço de conhecimentos transdiciplinares  abrangendo desde agricultura, arquitetura,  agronomia, engenharia, ciências naturais, economia solidária, etc.

 

O objetivo é a criação de sistemas que sejam ecologicamente corretos e economicamente viáveis; que supram suas próprias necessidades, não explorem ou poluam e que sejam sustentáveis a  longo prazo.

 

A ÉTICA DA PERMACULTURA

 

1.      Cuidar da Terra.  Fala do respeito a todas as coisas do planeta, sejam elas vivas ou não.

2.      Cuidar das pessoas.  O impacto do ser humano no planeta é muito marcante. Se pudermos garantir  a todos o acesso aos recursos básicos necessários a existência, reduziremos a necessidade de consumir recursos não renováveis.

3.       Partilhar excedentes e limitar o consumo. São decorrentes dos dois primeiros princípios. Partilhar excedentes significa redistribuir os recursos que temos além de nossas necessidades. Limitar consumo nos faz repensar nossos hábitos e conceitos de qualidade de vida. Sempre priorizar o fluxo em vez do acúmulo.

ESTRATÉGIAS

 

1.      Observar atentamente a natureza.

2.      Trabalhar com a natureza e não contra ela.

3.      Cooperação em vez de competição, integração em vez de fragmentação.

4.      Pensar sobre as conseqüências das nossas ações a  longo prazo.

5.      Onde possível  utilizar espécies nativas da área ou aquelas adaptadas sabidamente benéficas.

6.      Cultivar a menor área possível, em sistemas intensivos e eficientes.

7.      Praticar a diversidade policultural, que garante a estabilidade, e não a monocultura.

8.      Sistematizar a água e alimentar o solo.

9.     Ver soluções e não problemas.

10.  Usar e valorizar recursos e energias renováveis.

11.      Trabalhar onde conta, plantar uma árvore onde irá sobreviver, ajudar pessoas que querem aprender.

 

 

DESIGN

 

O design  permacultural envolve o planejamento, a implantação e a manutenção conscientes de ecossistemas produtivos que tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais. Ele resulta da integração harmoniosa entre as pessoas e a paisagem, provendo alimentação, energia e habitação de forma sustentável. Trata de elementos como plantas, animais, edificações e infra  estruturas e das conexões que podemos criar entre eles.

 

 

CONTEXTO REGIONAL.

 

 O Município de Rancho Queimado

 

O município de Rancho Queimado está situado no estado de Santa Catarina, no sul do Brasil, sendo sua sede localizada a 75 quilometros da capital do estado, Florianópolis.

Possue área territorial de 287,4 km2 e está ligado a capital e ao planalto serrano através das rodovias BR 282 e SC407.

Localiza-se junto as encostas e escarpas da Serra Geral, entre o litoral e o planalto, com a altitude média de 820 metros acima do nível do mar, chegando a 1200 nos Campos do Alto da Boa Vista. Apresenta relevo acidentado composto por vales, morros, montanhas, escarpas e altiplanos, regatos, rios e cachoeiras.

                              

 

                 

       Casa  em Rancho Queimado                           Roda d água  na região.

 

 

                 É divisor  geográfico de águas entre os rios Itajaí-Açu, Tubarão e Cubatão, fazendo parte da bacia do rio Tijucas.

O clima é mesotérmico úmido, com temperaturas médias anuais entre 14 e 18 graus Celcius. A precipitação média é de 2116mm, distribuídas mais no verão. No inverno podem  ocorrer fortes geadas em todo o município e ocasionalmente neve nos pontos mais altos.

Média anual de umidade relativa do ar  é de 80 a 85% e a insolação total anual  de 2.000 a 2.200 horas.

São encontrados três tipos de solos: Cambissolos, com bases de depósitos sedimentares do quarternário; Cambissolos e Podzólico vermelho-amarelo com base sedimentar e Cambissolo e Podzólico vermelho-amarelo com base granito-gnaissica.

A vegetação apresenta grande diversidade em razão das variações de altitude. Pode-se encontrar a Mata Atlântica  ou Floresta Ombrófila Densa nas áreas entre 600 e 700 m de altitude; Floresta de Araucárias ou Floresta Ombrófila Mista nas altitudes de 800 a  1000m de altitude e finalmente campos de altitude de vegetação rasteira com fragmentos de Mata Nebular nas maiores altitudes.

A cobertura  vegetal, arbórea e arbustiva ocupa uma área de 63,4% da área do município, basicamente devido a topografia acidentada. Observa-se áreas desmatadas e erodidas  sendo usadas para pecuária e agricultura.

Vale ressaltar que o município encontra-se situado em privilegiada situação geográfica  entre o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e o Parque Nacional de São Joaquim.

A região foi originalmente habitada por grupos indígenas expulsos e exterminados durante o processo de colonização iniciado no século XIX com a chegada de imigrantes alemães. Nessa época  o comércio entre o litoral e o planalto apresentava razoável movimento com diversos serviços de apoio aos viajantes como hospedarias e pequenos comércios localizados nas margens dos caminhos. Assim originou-se a freguesia de Santa Isabel, que a partir de 1869 passa a condição de distrito municipal. Em 1962 já com o nome de Rancho Queimado, torna-se município, emancipando-se de São José.

A agropecuária corresponde a 80% de sua economia, onde em pequenas propriedades criam-se eqüinos, bovinos e muares, além das culturas de cebola, morango, tomate, alho, batata inglesa e mel de abelhas.

Sua população está abaixo de 3.000 habitantes, sendo sua grande maioria na zona rural.

 

        

CONTEXTO LOCAL.

 

 O Sítio Vagalume

 

Está localizado  no Distrito de Taquaras, localidade de Mato Francês.

 

Latitude 27 40´S

Longitude 49 10´W

Altitude 830 – 900m

 

Área 12,3 hectares, sendo 2,5 hectares, aproximadamente 20%,  desmatados e/ou planos e  o restante floresta (Floresta Ombrófila Mista ou Floresta de Araucárias) ou áreas em recuperação, capoeiras e capoeirões.

 

Distancia de Florianópolis   90 km, sendo os 3.8 km finais em estrada de terra. A viagem desde Florianópolis leva 90 minutos.

 

Encontra-se em um final de vale   íngreme, ladeado por escarpas e cortado por regatos. Possui uma orientação solar privilegiada pois tem a  concavidade do vale  voltada para o quadrante norte, com abertura maior a nordeste e um pouco menor a noroeste.Os ventos são canalizados pelo vale no sentido norte sul , sendo que os mais desfavoráveis e frios vindos do sul são abrandados pela conformação das escarpas.

 

               

            Círculo do fogo.                                                   Xaxim nativo.

 

 

O vale do Mato Francês é habitado por pequenos agricultores descendentes   dos pioneiros imigrantes alemães que cultivam principalmente cebola, morango, milho e tomate, todos com  uso de agrotóxicos , além de criação de gado para leite e corte. Em razão da topografia acidentada, tanto a agricultura  mas principalmente a pecuária tem sérios e danosos impactos ao meio ambiente, além de não proporcionarem  condições adequadas para o sustento e melhoria de vida das famílias locais.

 

 

ANTECEDENTES

 

 

O sítio foi comprado em 1996 por Marcos Marques em sociedade com  dois amigos como refúgio de final de semana, sendo perfeito para esse fim, pois apresenta quase 80% de sua  área total  preservada de floresta, riachos e pequenas quedas d´água. Localizado num fundo de vale é  a última propriedade da estrada.

A área desmatada e/ou plana era   anteriormente utilizada como pasto e há 30 anos era usada para cultivo de cebola e milho.

O sítio pertencia a família de Romeu Munsfels, descendente de alemães que alí se estabeleceu ali em 1995 e que se viu obrigado a vender os fundos de sua propriedade, originariamente  de 26 hectares,  para saldar suas dívidas.

 

 

                                  Silvana com a família de Romeu Munsfels.

 

 

Foi então construída uma pequena casa de madeira reflorestada com aberturas de demolição e materiais reaproveitados de outras construções. O sanitário foi construído com fossa séptica, filtro anaeróbio e valas de infiltração,  feita a captação  de água potável de mina localizada  dentro da propriedade,  instalado aquecimento de água a gás GLP e  cercada a área desmatada próxima a entrada.

 

Em 2000 a situação se modificou, pois seus sócios não mais se interessavam pela propriedade e Marcos Marques, após seu curso e vivências de permacultura e bambu na Austrália, sonhava em implantar ali um projeto semelhante aos que lá visitou.

 

Finalmente em 2002 Marcos Marques conseguiu os fundos suficientes para comprar  a parte de seus sócios e então iniciar  a implantação do Projeto Sítio Vagalume.

 

 

                             

                                        Casa  e forno de pão.

 

CONDICIONANTES LOCAIS

 

As áreas planas ou desmatadas que permitem  implantar novas culturas ou construções é muito restrita, sendo que as  áreas planas  ficam localizadas nas margens de córrego e regatos  e  as áreas restantes são bastante íngremes. . Porisso seu uso deve ser extremamente criterioso.

 

Como condicionante de projeto não será edificada nenhuma construção permanente a menos de 30 metros de cursos de água.

 

Assim chega-se a uma das características principais do Projeto Sítio Vagalume, que é sua pequena escala.

 

Isso vem de encontro aos ideais de replicabilidade, pois as soluções, cultivos e processos aqui apresentados com certeza poderão ser aproveitados em pequenas propriedades, ou até no meio sub urbano, mas obviamente servirão de campo de testes para aplicação posterior  também em maior escala, em grandes áreas.

 

Outra característica decorrente da pequena escala do Sítio Vagalume é a inclusão social das populações vizinhas. Nos últimos anos  foram criados laços de amizade e confiança com os vizinhos e seus familiares. Durante um almoço de confraternização   foi lançada a idéia de as famílias locais hospedarem os alunos dos cursos a serem ministrados no sítio, oferecendo acomodação, café da manhã e jantar. Isso proporcionaria uma renda extra para as famílias, o  contato com pessoas de outras localidades e culturas, além de contaminar indiretamente essas famílias com os ideais da permacultura e do uso e vantagens do bambu. A proposta teve uma acolhida surpreendente, todos adoraram a idéia e imediatamente começaram a fazer planos e sugestões.

O DESIGN PERMACULTURAL

 

 

Iniciou-se o projeto global do sítio, chamado na permacultura de design, na verdade um processo contínuo  que   reúne    todas as observações do local e região, as  propostas de ações no tempo, os elementos a serem implantados, plantas, animais e suas conexões.

 

Veja em anexo:

 

* Planta do Município de Rancho Queimado mostrando a localização do Sítio Vagalume.

* Planta do Sítio Vagalume  mostrando a área destinada a ser Reserva Particular  do Patrimônio Natural (RPPN)..

*  Levantamento plani-altimétrico das áreas desmatadas e/ou planas.

 * Planta com as condições locais, as áreas a serem utilizadas e seu zoneamento.

*  Relação de ocorrências naturais observadas no local.

*  Relação das árvores nativas da região.

 * Relação dos elementos e estruturas possíveis de serem integrados ao design.

 * Relação das plantas de interesse a serem introduzidas na área.

 * Relação de possíveis vivências e testes iniciais  na área de eco construção e energias renováveis.

 

As três principais linhas de ação são: Escola, Bambu e Nova Floresta.

 

 

ESCOLA

 

 

A chave do processo endógeno, o  processo de auto construção, onde o aprendizado leva ao projeto e também `a implantação do que foi projetado.

 

Serão ministrados, dentro do projeto Bambuscola, cursos relacionados ao cultivo,  manejo, tratamento e diversas formas de utilização do bambu, conscientizando os alunos e vizinhos da  sua importância  e múltiplos usos. Durante os cursos será feito o manejo das moitas, produção de mudas,  tratamento dos colmos e beneficiamento do bambu nas inúmeras formas possíveis. Serão também projetados e construídos os viveiros, galpões e demais estruturas necessárias. Tais cursos terão apoio dos parceiros do projeto (veja na  seção PARCEIROS).Dentro da Bambuscola  será formado  o grupo Bambu Vagalume com os participantes dos cursos que queiram ter uma educação continuada  e  participar das atividades relacionadas ao tema.

 

Serão ministrados cursos de permacultura  onde a parte prática será o projeto e posterior implantação das estruturas, cultivos intensivos e extensivos e criação de pequenos animais. Tais cursos terão apoio dos parceiros do projeto (veja na  seção PARCEIROS).

 

Serão ministrados cursos de eco construção onde serão projetadas e posteriormente construídas todas as estruturas necessárias para a implantação do design. Tais cursos também terão apoio dos parceiros do projeto(veja  na seção PARCEIROS).

 

                   

    Prática no curso de permacultura.                              Horta instantânea.

 

 

Aqui  existe a possibilidade de se trabalhar com crianças de escolas locais ou de cidades próximas, apresentando na prática os fundamentos da vida saudável.

 

Durante os primeiros anos a ênfase do processo serão os cursos de permacultura , eco construção e cultivo do bambu. Com o passar dos anos a estrutura do sítio estará implantada e os bambus estarão na etapa de manejo e utilização.O  foco então será  o estudo, tratamento e uso do bambu com suas inúmeras possibilidades, inclusive o treinamento de mão de obra para beneficiamento da produção.

 

Nessa etapa os cursos de permacultura,  eco construção e bambu terão ainda maior função social  pois a população local já estará contaminada pela filosofia e resultados práticos apresentados no sítio durante seus primeiros anos e assim  as práticas dos cursos poderão ser nas propriedades vizinhas,  implantando em cada uma delas estruturas e culturas de interesse do morador, como sistemas de irrigação natural, recuperação de mata ciliar, cultivos orgânicos, esgotos ecológicos, coleta de água de chuva, composteiras, minhocários , construções com bambu, terra, parcerias para beneficiamento do bambu, etc.

 

 

         

    Práticas no curso permacultura.                              Terminando a espiral de ervas.

 

 

Os cursos terão sempre bolsistas moradores da região, responsáveis por divulgar o que aprenderam para suas famílias e vizinhos.

 

O sítio receberá também estagiários voluntários, do Brasil e exterior, interessados na experiência de planejar e implantar  o projeto, vivenciar na prática a permacultura, a eco construção, a produção de alimentos orgânicos e o estudo, cultivo, manejo e uso do bambu. Essa prática é comum em países como Austrália e Nova Zelândia (onde é chamada de WWOOFING -  WILLING WORKERS OF ORGANIC FARMS).

Chamada de estadia cooperativa, o estagiário permanecerá  no sítio por um determinado período trabalhando por 4 ou 5 horas diárias e receberá  alojamento e refeições, não havendo nenhum tipo de remuneração financeira ou vínculo empregatício.

Esse tipo de procedimento traz vantagens para o sítio que obtém mão de obra e para o voluntário que aprende na prática, além de permitir a todos  a troca de informações e vivências.

 

As construções a serem edificadas no sítio serão preferencialmente ecológicas, usando materiais locais, materiais reciclados ou de baixo impacto ambiental.   Ênfase ao estudo e aplicação dos conceitos de bio arquitetura, arquitetura solar e geobiologia.

 

 Além de oferecer acomodação nas casas dos moradores vizinhos como citado acima, o sítio deve oferecer opção de acomodação em dormitório coletivo, em camping ou em tipis, tendas típicas dos índios  norte americanos, que serão construídas durante os primeiros cursos de eco construção a serem ministrados no sítio.

 

 Está em implantação a ligação a rede pública de energia elétrica, trifásica, e no decorrer do tempo serão implantados sistemas de energia alternativos, diminuindo substancialmente a dependência da energia da rede. Sistemas de aquecimento solar e biomassa serão os primeiros a serem  construídos, logo nos primeiros cursos de eco construção.

 

    

            Curso Construção Zona 1.                              Prática de Taipas.

 

 

 

BAMBU

  

A estratégia utilizada  no  processo de design  tem como objetivo atingir um grau crescente de sustentabilidade com o passar dos anos, respeitando a  natureza e gerando renda.

 

                           

              Ponte de bambu.                                Casa de bambu projetada por Antonio. 

 

 

Daí veio a decisão de implantar na área íngreme e degradada de aproximadamente  5.000m2 (meio hectare)  um cultivo de bambus entouceirantes,  recurso renovável de grande utilidade, pois além de proteger o solo de erosões  o bambu tem rápido crescimento,  crescente produção se bem manejado, seus brotos são comestíveis e suas varas podem ser usadas para inúmeros usos, desde utensílios domésticos, ferramentas  e artesanato até para construções, sendo porisso chamado de madeira do século 21.

 

Optou-se por diferentes espécies de bambu entouceirante , que garantem a preservação da mata que circunda a área e permitem  aproveitar  todas as possibilidades de uso do bambu.

 

Será feito  um acompanhamento cuidadoso da adaptação e crescimento de cada espécie na área, permitindo que esse conhecimento acumulado seja  publicado ( veja em PARCEIROS a  Fundação BambuBrasil) e utilizado em novas plantações na região ou em áreas de clima semelhante.

 

Com a consultoria e ajuda de João Paglione, especialista e entusiasta  em bambu e do professor Marco Antonio dos Reis Pereira da UNESP (veja em PARCEIROS) , foi possível conseguir  mudas de excelente qualidade  de espécies que provavelmente se  adaptem melhor as condições climáticas locais, além de proporcionarem os usos variados desejados para a sustentabilidade crescente do projeto.

 

As mudas foram plantadas em fevereiro de 2003 em curvas de nível  pois posteriormente será implantado sistema de irrigação natural chamado na permacultura de swales (valas de infiltração) e plantação de consórcios para melhoria do solo e produção de biomassa. Logo nos primeiros meses as mudas plantadas   passaram por grande teste pois foram atacadas por animais dos vizinhos que invadiram a área,  sofreram longo período de seca e um longo inverno com fortes geadas. Chegou-se a temer pelo sucesso do projeto  mas assim que as chuvas começaram em finais de setembro observou-se uma incrível recuperação, sendo que mais de 90% das mudas apresentam  brotação.

 Isso confirma a grande capacidade de adaptação do bambu a condições adversas e só aumenta a certeza do seu grande valor sócio ambiental e econômico.

                                   

        Marcos e dendrocalamus giganteus.                       João e Pereira na UNESP.

 

 

Foram também distribuídas gratuitamente mudas para os vizinhos parceiros a fim de disseminar a idéia   de plantar bambu e democratizar seu uso no futuro próximo.

 

 

Relação de mudas plantadas em fevereiro 2003:

 

Bambusa Vulgaris.... 5 mudas ( plantadas nov 2002 e set 2003)

Bambusa  Oldhami......9 mudas

Bambusa Tudoidis......2 mudas ( plantadas  agosto 2003)

Dendrocalamus Latiflorus ....2 mudas

Dendrocalamus Giganteus.....40 mudas

Guadua Angustifólia......32 mudas

 

 

Total de mudas plantadas até o momento....90 ( noventa)

                         

                                  Pereira no viveiro da UNESP.

 

 

Atualmente são usados vários métodos para o tratamento do bambu, como defumação, substituição de seiva e submersão  entre outros (veja anexo), a maioria deles utilizando produtos químicos ou de alguma maneira causando danos ao meio ambiente. Optamos por um tipo de tratamento natural de   substituição da seiva por uma diluição de tanino, que será obtido de cascas árvores específicas a serem  plantadas no próprio sítio e nos vizinhos,  da família das acácias, como acácia mimosa e acácia negra.

 

Espécies de plantas   que serão usadas no beneficiamento do bambu também estão sendo implantadas no sítio, como sisal, vime e imbé.

 

Todos esses fatores vão  fechar os ciclos e contribuir para a real e crescente

sustentabilidade   do processo de utilização do bambu.

 

 

                        

    João e dendrocalamus giganteus.                            Área do bambuzal  recém plantada.

 

 

Veja em anexo farto material a respeito do bambu, entre eles artigos do jornalista Olimpio Araújo Júnior sobre diversos aspectos do bambu e o projeto da Bambuseria Bancruz de Belo Horizonte para desenvolvimento do ciclo do bambu no Brasil.

 

 

NOVA FLORESTA

 

 

Nome genérico para designar    a ação contínua de recuperar as áreas degradadas, áreas de mata ciliar as margens de riachos e regatos, áreas de grande declividade, áreas de divisas problemáticas circundadas por  pastagens  ou reflorestamento de pinus eliotis, áreas em recuperação natural sejam capoeiras ou capoeirões, bordas de florestas etc. A área total  dessas áreas é de aproximadamente 1,5 hectares.

 

Serão adotadas várias estratégias para essa recuperação, dependendo das características específicas de cada área em questão.

 

Como citado anteriormente a região apresenta remanescentes de Floresta de Araucárias ou Floresta Ombrófila Mista. Portanto a ênfase de trabalho nessas áreas será   devolvê-las  a sua condição original.

 

Vale ressaltar o pouco espaço disponível e o objetivo de se atingir graus crescentes de sustentabilidade, sendo portanto importante a produção de alimentos. Portanto serão introduzidas  em algumas áreas sistemas agro florestais(SAF),  ou florestas de alimentos.

 

Serão implantados pequenos açudes em pontos estratégicos,  nas maiores cotas possíveis, para permitir a criação de micro climas favoráveis, diminuir a incidência de geadas, possibilitar a criação de biomassa para compostagem através de plantas aquáticas, além de propiciar a irrigação das culturas por gravidade e a criação de peixes.

 

Outro elemento importante será o banco de sementes, onde serão guardadas, testadas e catalogadas. Durante os cursos as sementes serão coletadas na floresta ou arredores e pretende-se criar uma `feira de troca de sementres´ inicialmente entre vizinhos, alunos e amigos,  podendo desenvolver maior abrangência via internet.

A permacultura  ensina ser possível acelerar a sucessão natural, utilizando técnicas como compostagem,  adubação e cobertura verde, culturas consorciadas em diversos estratos, adensamento e  introdução de mudas nativas e frutíferas.

 

 

Veja    em anexo material a respeito de sistemas agro florestais(SAF) e da luta para recuperar as Florestas de Araucária.

 

 

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO ANO 2003

 

 

Após a compra da totalidade do sítio no final de 2002, o ano de 2003 foi de muito trabalho, contatos, levantamento de dados e estudos para   elaborar o presente projeto e o design permacultural, estreitar as parcerias fundamentais para a divulgação e viabilização do projeto e implantar as ações básicas que permitam dar seqüência aos planos aqui apresentados. Todas as ações realizadas até aqui foram com recursos próprios.

 

Para fácil entendimento e acompanhamento através do tempo, as ações foram divididas em:  PROJETO /  INFRA ESTRUTURA /  REFLORESTAMENTO, CULTURAS E ALIMENTO.

 

 

                      

       Antes da adubação de inverno.                         Detalhe adubação  meses depois.

 

PROJETO

 

 

* Levantamento plani-altimétrico das áreas desmatadas e planas utilizáveis. Produção de plantas cartográficas da região e do sítio.

 

* Desenvolvimento do design permacultural do sítio, atividade contínua,  simultânea e complementar ao presente projeto.

 

* Desenvolvido pelo arquiteto Antonio Reyes Melognio (veja em PARCEIROS), seu trabalho de graduação na Universidade federal de Santa Catarina. O trabalho completo está a disposição para consulta e deve servir de inspiração para as futuras construções no sítio.

 

* Início do processo de transformação da parte dos fundos do sítio em RPPN,  Reserva Particular do Patrimônio Natural, junto ao IBAMA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis, órgão do governo federal.

 

* Registro fotográfico das diferentes áreas do sítio, com a definição de  ´photo spots ´,  isto é,  locais onde serão observadas as mudanças ocorridas através do tempo para fins de estudo.

 

* Criação de web site/ home page para divulgar o projeto.

 

* Apresentação do projeto ao grupo do Programa Municipal de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura Municipal de Rancho Queimado (veja em PARCEIROS).

 

* Participação no Programa de Formação de Professores de Permacultura do IPAB - Instituto de Permacultura Austro Brasileiro, na forma de curso de capacitação de professores,  monitoria  e aulas em cursos de  Permacultura Design e Consultoria em Criciúma e Florianópolis.

 

 

                         

  Formação de professores  de permacultura.                                Cachoeira.

 

* Participação como professor de eco construção e co autor da apostila,  no Curso de Construção de Zona 1 – Qualidade de Vida Começa com Casa e Comida – realizado pelo IPAB – Instituto de Permacultura Austro Brasileiro  em setembro de 2003 na área rural de São José do Cerrito, com apoio da Prefeitura , Sindicatos de Trabalhadores Rurais e Cooperativas de Crédito locais.

 

 * Visita a propriedades permaculturais em São Jose do Cerrito, Criciúma e Paulo Lopes, todas em Santa Catarina.

 

 

INFRA ESTRUTURA

 

                                

                 Micro trator com Romeu.                       Levantamento topográfico.

 

 

* Execução de cercas nas áreas onde havia risco de invasão de animais dos vizinhos.

 

* Construção de galpão de aproximadamente 40 m2.

 

* Construção de viveiro de mudas com aproximadamente 20m2.

 

* Construção de abrigo para materiais e ferramentas com aproximadamente 20m2.

 

* Construção de pequeno galpão com forno a lenha e lavatório.

 

* Compra compartilhada de micro trator com vizinho Romeu Munsfels.

 

* Manutenção da casa e   do sanitário construídos em 1996/97.

 

*  Ligação de energia trifásica da rede pública local.

 

* Aquisição de serra de bancada e betoneira.

 

 

REFLORESTAMENTO, CULTURAS E  ALIMENTO

 

                

               Viveiro de mudas.                                   Retirada de mel.

 

* Demarcação das áreas a serem reflorestadas e protegidas e das áre