FOLHAS

As folhas não crescem diretamente de uma gema dos galhos. Elas são, na verdade, lâminas de folhas caulinares que crescem em galhos. Estas lâminas tornam-se bem mais elongadas que nas folhas caulinares dos colmos, tomando a forma e a função, fotossintética, de uma folha. Nos galhos estas folhas-lâmina estão conectadas à bainha por uma projeção de sua veia principal, em forma de uma curta haste. Quando a folha seca, começando pela ponta, esta haste quebra, e a bainha permanece conectada por mais tempo ao galho. Uma folha de bambu sobrevive até cerca de dois anos.

Por terem um padrão de veias que se espalham em ângulos retos e paralelos (em inglês "tesselation"), as folhas ganham resistência ao frio.

FLORAÇÃO

O bambu não possue um ciclo anual de floração. Na verdade, a floração do bambu ainda é um mistério para os botânicos. Podem ocorrer em longos períodos de 10, 50 ou até 100 anos. A identificação das espécies é feita através da coleta de flores, o plantio de sementes e a observação dos resultados. É por essa razão que a identificação exata das espécies de bambu é tão complicada. Uma geração inteira pode passar sem que um determinado bambu tenha florescido.

A floração de um bambu é um evento não apenas misterioso, mas muitas vezes fatal para o próprio bambu. Este fato decorre do desvio de toda a atenção e esforço da planta para o florescimento, retirando as reservas contidas nos rizomas. A planta pára de produzir folhas, e pode vir a desgastar-se até a morte. Existem casos de um grupo inteiro perecer ao mesmo tempo. Sementes podem ser recolhidas, mas atualmente ainda não há um procedimento seguro para plantio de sementes de bambu. A diferenciação entre as espécies, as variedades cultivadas, não são garantidas através das sementes. A semente de uma espécie variegada (com estrias) não garante a continuação da variegação nos seus brotos. O bambu pode chegar a ter uma reprodução anemófila (causada pelo vento), e naturalmente reaparecer no mesmo local de sua morte.

Porém nem todo bambu que floresce morre. Ximena Londoño afirma que o gênero Guadua costuma ter sempre um indivíduo florescendo em um dado grupo. Existem relatos de floração contínua durante meses ou anos. Atitudes podem ser tomadas para interromper a floração de um grupo ou indivíduo, porém os relatos e os resultados ainda são inconclusivos. Alguns cortam os culmos florescentes, outros retiram o rizoma inteiro.

A ocorrência simultânea de florações de uma mesma espécie em diferentes locais do mundo é um evento ainda estudado. A teoria mais aceita é que as plantas de um mesmo clone (reproduzidas através de pedaços de uma mesma planta) podem florescer simultaneamente em locais diferentes. Especialistas discutem hoje em dia o equilíbrio entre as influências genética e climática na causa do florescimento. Afirmam que um stress ambiental ou induzido artificialmente podem causar uma floração em bambu.


florescência de Bambusa tuldoides
Rio nov. 2000
 
semente de bambu - Pseudosasa japonica
Chester Hill
 


ESTAÇÕES

O comportamento do bambu obedece as estações, como todas as plantas. Seu ciclo é lógico, e deve ser utilizado para o planejamento de plantações e colheitas, de acordo com a finalidade que se quer atingir. No verão e no outono os colmos adultos estão recolhendo energia do sol e armazenando nos rizomas. Quando chega o inverno a planta chega a um estado de baixo metabolismo, como uma "hibernação". Chegando a primavera o alimento armazenado é utilizado na produção dos novos brotos e rizomas. E no fim do verão pode-se recolher os novos brotos para alimentação. De uma forma geral podemos dizer que a energia (seiva) está armazenada nas raízes no inverno. E no verão está espalhada pelos colmos. O verão é a pior época para colher colmos, eles serão certamente menos resistentes ao ataque de fungos e bactérias. No inverno os colmos estão mais secos, portanto menos aptos a serem atacados por pestes. No fim do verão os bambus procuram estender seus rizomas e começar a guardar seus nutrientes.

FERTILIZANTES

O bambu é uma planta faminta e sedenta. Ele costuma exaurir os solos de seus nutrientes preferidos. Consome basicamente muito nitrogênio na primavera e no verão, enquanto no outono consome mais Fósforo e Potássio. Podem-se utilizar fertilizantes que se adequem a esta dieta, tanto químicos quanto orgânicos. A grama é uma ótima fonte de nitrogênio e silício. Lascas de árvores também. O esterco, apesar de ser um ótimo nutriente, pode trazer ervas competitivas. Em uma plantação nova deve-se tomar cuidado com as ervas competitivas que roubarão os nutrientes do bambu.

A época depois do aparecimento de brotos é uma boa época para se fertilizar, assim como no final do verão. Porém melhores resultados são obtidos fertilizando em pequenas quantidades continuamente durante o ano, excetuando o inverno. No inverno pode-se cobrir a terra em volta dos bambus com uma camada de composto orgânico para isolar os rizomas de um frio excessivo. As próprias folhas caídas do bambu servem como estabilizador da humidade e da temperatura no solo, assim como ajuda a reciclar o silício.

Uma plantação nova de bambu deve receber bastante água, pois corre o risco de secar rapidamente e morrer. Porém deve ter-se também o cuidado de não regar demais, o que pode ser tão danoso quanto a seca. Plantar os bambus perto de uma fonte de água corrente é uma boa estratégia, já que o solo estará continuamente úmido.

SOLO

O bambu pode crescer em solos de diferentes graus de arenosidade, acidez, humidade e temperatura. Porém ele se dá melhor em solos levemente ácidos e argilosos, com 5.5 a 6.5 de pH.



paginas     1 I 2 I 3 I 4 I 5 I 6 I 7 I 8

Info I Grupo I Produtos


Conteúdo desenvolvido: Raphael Moras de Vasconcellos- Rio de Janeiro / BRASIL
contato:
produzido por : COMDESIGN